Você precisa de cinco blocos de documentos: o laudo do médico que indica a sua cirurgia (o médico assistente), o histórico da bariátrica, as provas dos problemas de saúde que a pele causa, os papéis do plano e, se vier negativa, o registro dela por escrito. Só o laudo é indispensável para pedir. O resto decide a discussão se o plano negar.
Imprima ou salve esta lista e leve à consulta com seu cirurgião. O conteúdo é informativo e geral. O seu médico e, se necessário, um advogado indicarão o que se aplica ao seu caso.
1. O documento central: laudo do médico assistente
É a peça mais importante de todo o processo. Confira se o seu laudo contém:
- Diagnóstico com CID compatível com o quadro (ex.: L98.7, pele redundante; e os CIDs das intercorrências, como dermatites). Sem o CID, o plano trata o pedido como estético;
- Descrição objetiva dos sintomas: dermatites e infecções nas dobras, dores, limitações no dia a dia, com tempo de evolução. Leve suas datas e tratamentos anotados para o médico usar;
- Indicação expressa do caráter reparador/funcional do procedimento: a palavra "reparadora" deve estar escrita no laudo. Se não estiver, peça ao médico que acrescente;
- O procedimento indicado com nomenclatura técnica (ex.: dermolipectomia abdominal) e, se possível, o código TUSS;
- Assinatura, CRM e data.
Sobre o que torna um laudo forte, veja o guia Seu laudo médico caracteriza a cirurgia como reparadora? Com o laudo em mãos, o próximo bloco é a história que ele resume.
2. Histórico da bariátrica (para pós-bariátricos)
- Relatório ou prontuário da cirurgia bariátrica (data, técnica, hospital). Se você perdeu, peça cópia ao hospital onde operou;
- Registro da evolução de peso: o seu peso máximo, o peso atual e há quanto tempo ele está estável;
- Acompanhamento pós-operatório (nutricional/clínico), se você fez: peça os registros a quem acompanhou.
O histórico mostra de onde o quadro veio. O bloco seguinte mostra o que ele causa hoje.
3. Provas das intercorrências de saúde
- Relatórios de dermatologista (dermatites, candidíase, intertrigo nas dobras): peça na própria consulta;
- Receitas e notas de medicamentos de uso repetido para essas condições: guarde tudo, elas provam que o problema volta sempre;
- Relatório de ortopedista ou fisioterapeuta, quando você tem dor postural ou lombar;
- Fotos clínicas, se orientado pelo seu médico;
- Exames de imagem quando aplicável (ex.: ultrassom ou tomografia medindo diástase, ou documentando hérnias): guarde o laudo do exame, não só a imagem.
Prova médica reunida, falta o rastro da sua relação com o plano.
4. Documentos do plano de saúde
- Carteirinha e contrato do plano (ou o número da apólice, para você pedir cópia ao plano);
- Comprovantes de pagamento das mensalidades recentes: mostram que a sua parte está em dia;
- Protocolos de todos os contatos com o plano: anote data, hora e número de protocolo de cada ligação. O erro comum é ligar e não anotar; depois não há como provar que você pediu;
- Se você já fez o pedido: o número da solicitação e o comprovante de envio da documentação.
5. Se vier a negativa
- Negativa por escrito: peça formalmente; o plano tem 24 horas para fornecer (RN nº 395/2016 da ANS). Não aceite negativa só por telefone;
- Print ou cópia de e-mails e mensagens trocados com o plano: guarde tudo, sem apagar;
- Registro da reclamação na ANS (a NIP), se você optar por esse caminho: guarde o número. Ela existe e é sua, mas tem um custo de tempo: dá ao plano mais um ciclo de resposta. Se a sua cirurgia está marcada ou você tem infecção ativa, esse ciclo pode significar semanas. É uma escolha sua, não uma etapa obrigatória.
Reunido o material, sobra o problema mais chato: onde guardar tudo isso.
Como organizar tudo no celular
A maioria dessas folhas some. Elas ficam na bolsa, no porta-luvas, na gaveta da cozinha, e quando o plano pede, você tem meia hora e nenhuma delas. Resolve assim:
- Crie uma pasta única no seu celular ou na nuvem com o nome "Cirurgia plano". Uma só. Documento espalhado em três aplicativos diferentes é documento perdido.
- Fotografe cada papel no dia em que receber, ainda no consultório ou na farmácia. Papel de receita amarela e desbota; a foto não.
- Fotografe com o papel apoiado numa superfície lisa, com luz de frente, sem sombra da sua mão em cima do texto. Se o carimbo do CRM ou a data estiver ilegível, o documento vale menos do que poderia valer.
- Renomeie os arquivos com data na frente: "2026-03-14 laudo dermatologista". Assim eles se ordenam sozinhos e você monta a linha do tempo do seu quadro sem esforço.
- Anote os protocolos num bloco de notas dentro da mesma pasta. Data, hora, nome do atendente, número do protocolo, o que foi dito. Leva trinta segundos e é o que sustenta a sua versão depois.
O que levar impresso na consulta: o laudo anterior (se houver), os laudos dos outros especialistas e a lista das suas datas e tratamentos. O médico tem poucos minutos com você. Ele escreve melhor com o material na mesa do que com você tentando lembrar de tudo em voz alta.
Quanto tempo guardar
Guarde tudo enquanto a discussão com o plano estiver aberta e por um bom tempo depois de resolvida. Laudos, exames e comprovantes de pagamento continuam úteis mesmo depois da cirurgia autorizada, porque uma nova etapa cirúrgica costuma se apoiar no mesmo histórico. Não jogue fora receita antiga achando que já passou: é ela que mostra que o problema volta há anos, e não que apareceu no mês passado.
Se o plano disser que perdeu o seu pedido
Acontece mais do que deveria. Você protocola, espera, liga, e alguém do outro lado diz que não consta nada no sistema. O que fazer:
- Não refaça o pedido do zero como se nada tivesse acontecido. Informe o número do protocolo antigo e peça que ele seja localizado. Anote o protocolo desta ligação também.
- Reenvie a documentação por um canal que deixe rastro: aplicativo do plano, e-mail, atendimento presencial com cópia carimbada. Guarde o comprovante de envio.
- Peça por escrito a confirmação de recebimento com a data. Essa data é o que faz o prazo de resposta correr.
- Se a resposta continuar não vindo, o silêncio também é um fato a documentar. Junte o histórico de tentativas com datas e protocolos.
Um lembrete sobre prazos
Para procedimentos de alta complexidade, a ANS dá ao plano o prazo máximo de 21 dias úteis para a autorização (RN nº 623/2024). O prazo corre do pedido completo. Mais um motivo para você entregar a documentação organizada desde o primeiro dia.
Se a negativa veio por telefone e ninguém quer colocar no papel, o caminho está descrito em o plano negou por telefone: o que fazer. Se a sua cirurgia envolve correção da parede abdominal, vale conferir também cirurgia de diástase abdominal e abdominoplastia pós-bariátrica, porque cada um deles pede documentos específicos que não estão nesta lista geral.
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Perguntas frequentes
Preciso de todos os documentos antes de pedir a cirurgia ao plano?
Não. Para pedir, o essencial é o laudo do médico que indica a sua cirurgia (o médico assistente). Os demais documentos fortalecem o pedido e serão importantes se houver negativa. Por isso vale reunir tudo desde o início.
O plano é obrigado a me dar a negativa por escrito?
Sim. Pela RN nº 395/2016 da ANS, o plano deve fornecer a negativa por escrito em até 24 horas quando você solicitar. Peça sempre; sem esse papel fica mais difícil contestar.
Perdi documentos da época da bariátrica. E agora?
O hospital onde você operou é obrigado a manter o prontuário e deve fornecer cópia quando você pedir. O relatório do seu cirurgião atual descrevendo o histórico também supre parte da documentação.
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