Depende. Se você trocou com portabilidade, aproveita a carência já cumprida. Se contratou um plano novo do zero, pode voltar para o início da fila. Calma, vamos por partes.
A cena: você estava quase lá, e agora isso
Você já tinha endoscopia feita. Já tinha ido na nutri, na psicóloga, no cardio pro ergométrico.
O laudo do endócrino já dizia que a bari era o caminho.
Aí a empresa trocou de operadora. Ou você mudou de emprego. Ou decidiu contratar um plano melhor por conta própria.
E agora bate a dúvida que trava todo mundo: esse tempo todo foi jogado fora?
A resposta muda dependendo de como foi essa troca.
Portabilidade de carências: você leva o tempo que já cumpriu
Existe um jeito de trocar de plano sem voltar pro zero: a portabilidade de carências.
Nesse caso, o tempo que você já cumpriu no plano antigo é aproveitado no novo. Se você já tinha cumprido, por exemplo, o prazo de carência para cirurgia, esse prazo não recomeça.
Mas atenção: portabilidade tem regra própria, prazo pra pedir, compatibilidade entre os planos. Não é automática só porque você quis.
Se a sua troca foi assim, com pedido formal de portabilidade e carta de portabilidade na mão, você está em situação bem mais tranquila.
Se não foi assim, a situação muda.
Plano novo do zero: aqui mora o risco de carência e de CPT
Se você simplesmente cancelou um plano e contratou outro, sem portabilidade, isso é visto como contrato novo.
E contrato novo pode vir com carência nova. Inclusive para cirurgia.
Tem outro risco que aparece bastante nessa hora: a CPT, cobertura parcial temporária. É uma restrição que o plano aplica quando você já tinha uma doença ou lesão preexistente quando entrou, tipo obesidade já diagnosticada, hipertensão, diabetes.
Com CPT, o plano pode negar por um tempo determinado (até 24 meses) procedimentos ligados a essa condição, incluindo a cirurgia bariátrica.
Isso não quer dizer que você vai ficar sem cobertura para sempre. Mas pode significar esperar mais um tanto, dependendo do que foi declarado na entrada do plano novo.
Vale entender direito o que é CPT antes de assinar qualquer coisa, principalmente se você já sabe que tem obesidade e doenças associadas.
E vale também revisar como funciona a carência para cirurgia bariátrica de um jeito geral, porque as regras de prazo mudam conforme o tipo de plano e o tipo de contratação.
Os exames que você já fez: podem servir, mas quem decide é o médico novo
Aqui vai uma notícia que alivia um pouco: nem tudo precisa ser refeito.
Endoscopia, ergométrico, avaliação nutricional, laudo da psicóloga. Se estão dentro da validade e o médico novo aceitar, podem entrar no pedido sem repetir o exame.
Mas quem decide isso é o médico que vai assinar o seu laudo agora, dentro do plano novo. Não é automático, e não depende só de você levar a papelada.
Alguns médicos aceitam exame recente de outro serviço sem problema. Outros preferem repetir, principalmente se já passou tempo ou se o exame não tem todos os detalhes que eles pedem.
Então antes de sair fazendo tudo de novo por conta própria, pergunte pro médico do plano novo o que ele aceita aproveitar e o que precisa repetir.
Isso evita gastar dinheiro e tempo com exame que não vai servir, e também evita achar que está tudo pronto quando falta peça.
O pedido no plano novo segue as mesmas regras de prazo
Uma vez que você deu entrada no plano novo, valem as regras de sempre.
A operadora tem até 10 dias úteis para responder o seu pedido, autorizando ou negando. Se negar, a negativa por escrito sai em até 24 horas depois que você pedir.
Se autorizar, o prazo para realizar a cirurgia é de até 21 dias úteis.
Esses prazos não mudam por causa da troca de plano. O que muda é se você já está liberada para usar a cobertura ou se ainda está em carência ou CPT.
Se você não sabe quais documentos o plano novo está exigindo, vale conferir os requisitos para bariátrica pelo plano de saúde atualizados, porque cada operadora pode pedir um conjunto ligeiramente diferente.
Se o plano novo negar, o próximo passo
Se a negativa vier baseada em carência ou CPT ainda não cumprida, o caminho é entender se essa carência é legítima ou se foi mal aplicada. Cada caso pede uma leitura própria do contrato.
Se a negativa parecer abusiva, fora desses motivos, aí sim vale olhar com calma o que fazer diante da recusa, incluindo procurar ajuda para entender se a Justiça pode agir rápido no seu caso.
Um levantamento feito pelo nosso escritório em bases públicas do Poder Judiciário mostra mais de 22,6 mil decisões envolvendo cirurgia bariátrica nos últimos anos. Isso mostra que negativa de plano nessa cirurgia não é caso raro, e também não é sem solução.
Se você está travada numa negativa depois da troca de plano, vale ler sobre o que fazer quando o plano nega a bariátrica antes de decidir o próximo passo.
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Perguntas frequentes
O plano novo pode pedir tudo de novo, até a perícia?
Pode. Cada plano tem seu jeito de avaliar o pedido, e isso costuma incluir passar pela perícia deles de novo, mesmo que você já tenha feito na operadora antiga.
Meu laudo da psicóloga do plano antigo vale no novo?
Depende do médico e da operadora nova. Muitos aceitam laudo recente, principalmente se está dentro da validade que eles pedem. Mas quem decide é o time novo, não você nem a psicóloga.
Troca de operadora dentro da mesma empresa conta como plano novo?
Às vezes sim, às vezes não. Empresa que muda de operadora pode negociar uma condição de transição para os funcionários. Vale perguntar pro RH, por escrito, antes de imaginar que está tudo igual.
Se o plano novo negar a bari, o que eu faço?
Peça a negativa por escrito, é direito seu. Depois veja com calma os motivos: se for carência ainda não cumprida, o caminho é diferente de quando a negativa é abusiva.
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